Aqui você consegue encontrar literalmente pessoas de todos os buracos possíveis. Eu já conheci gente dos grandes países da Europa, Ásia e América. Mas conheci gente também de alguns lugares que eu jamais imaginaria como Bangladesh, Cazaquistão, Moldávia, Albânia e etc. Todos por alguma razão aqui, perdidos em NY.
E por falar em Bangladesh, conheci o filho de um ministro da suprema corte de lá. Foi aí que me dei conta o quanto sou desinformado e também preconceituoso. Quando ele me perguntou o que eu fazia e eu disse que era advogado ele disse que era também e que o pai dele era da suprema corte. Confesso que me veio a mente algo como: “Nossa, existe uma corte suprema em Bangladesh!? Sei! Deve ser uma beleza!”.
Enfim...
É interessante notar que grande parte das pessoas que aqui estão, por não estarem inseridas mais no ambiente cultural original, sentem-se mais soltas e acabam sendo mais espontâneas ou mesmo fazendo coisas que não fariam em seu próprio país. É por isso, por exemplo, que há um número gigantesco de gays. Ainda que não tenha sido o maior motivo para a vinda para NY, as pessoas aqui se libertam um pouco de algumas amarras pelas mais diferentes formas que se pode imaginar.
Por isso mesmo, você nunca sabe que tipo de pessoa você pode encontrar e o que pode acontecer.
Essa semana, por exemplo, fui a um restaurante russo para fazer jus à minha fama de russo e depois fui a um bar. Uma noite simples, mais muito gostosa. Estava quente. Foi a primeira vez que consegui usar camiseta à noite.
Já era tarde da noite quando entrei na 44, entre a quinta e a sexta avenida. A rua estava bem deserta. Enquanto olhava para frente, percebi um carro se aproximando e lentamente parando. Simplesmente continuei a andar acreditando que ele fosse estacionar.
Ao passar pelo carro, o motorista fala alguma coisa que imaginei ser para mim, já que a rua estava vazia. Paro de andar e volto alguns metros para conseguir ver o motorista. Pensei que a pessoa poderia querer alguma informação sobre algum lugar ou endereço.
Inocente!
Enquanto caminhava na direção do Minicouper, percebi que o vidro que estava aberto pela metade, foi aberto totalmente. Ao chegar no carro, me deparo com uma loira de olhos azuis extremamente bonita. Parecia uma modelo. Estava vestida com roupa típica de balada americana: vestido curto.
Preparei meu ouvido para alguma perrgunto sobre caminho e eis que escuto:
“Para onde você está indo?”
Não entendi muito bem a razão da pergunta, mas respondi:
“Para minha casa”
A resposta:
“Posso ir com você?”
Essa era a última coisa que esperava ouvir. Por mais maluca que seja NY, não é todo dia que uma loira para você na rua e pergunta se pode voltar com você para casa no meio da noite. Convenhamos!
Vindo do Brasil e considerando que a rua estava vazia, pensei que estava sendo vítima de um golpe. Olhei para todos os lados procurando por alguém! Não sei muito bem o porquê, mas eu poderia jurar que a qualquer momento um cara ia aparecer colocar uma faca na minha garganta e falar entra no carro, moleque!!!
A rua estava deserta e não vi ninguém em minha direção. Descartei essa possibilidade.
Mas ainda assim, estava desconfiado! Gente, sejamos realistas. Eu nunca fui lá conhecido pela beleza! Depois de quatro anos sem pisar numa academia também não sou conhecido pela força. Pelo que sei, barriga ainda não virou moda. Alguma coisa estava errada. Se eu ainda fosse meu grande amigo Rodrigo Falcão, até poderia entender, mas no meu caso, alguma coisa estava bem errada!
“Deixa eu ir com você, a gente pode se divertir o resto da noite. Vamos fazer uma festinha!”
Todo homem precisa ter uma justificativa muito boa para negar um convite desse. Não é todo dia que você escuta isso. Basicamente, vejo duas razões principais para você dizer não: ou você é gay ou você tem uma namorada/noiva/esposa te esperando no Brasil. No meu caso, uma noiva.
“Olha, seria muito legal, mas eu tenho uma noiva! Na verdade, vou casar daqui há dois meses!!”
“E de onde você é?
“Sou do Brasil. E você?”
“Alemanha. Vamos lá vamos nos divertir! Vamos fazer uma naked party!!”
Aquela situação não fazia mais o menor sentido para mim. Uma modelo sendo rejeitada por um pancinha de chopp como eu e ela ainda insistia!? Alguma coisa estava muito errada!!!
“ Vai ser sua despedida de solteiro! Para você eu faço por 300 dólares!”
Explodi em uma gargalhada! Hahahahahahahahahahahahha
Pronto, mistério resolvido. Tudo explicado! Eu sou muito inocente mesmo! Óbvio que só podia ser um puta!
Educadamente me despedi e ganhei o cartão aí da foto, para “caso eu mude de idéia”.
Só em NY mesmo! Mas está aí mais uma dica caso alguém queira ligar!