Sábado à noite. Por que não dar uma saidinha e tomar uma cerveja nesse frio do caramba? Vamos começar a conhecer a noite por aqui! Abro um desses sites de buscas de bares e baladas. Achei uns dois que poderiam ser bacanas e que ao mesmo tempo fossem próximos aqui de casa. Dava para ir a pé. Fusion. Guardem bem esse nome. Fica na Décima com a 54. Anotem esse endereço.
Em cerca de 20 minutos eu chego no lugar. A julgar pela fechada, achei que estivesse fechado. O local era estreito como se fosse uma lanchonete dessas de São Paulo e não tinha absolutamente ninguém na rua. Achei muito estranho. Uma cortina azul cobria toda sua entrada envidraçada. Me aproximei da porta e ouvi uma música ao fundo. Pensei, está aberto. Puxo a porta e entro.
Assim que a porta se fechou atrás de mim, enquanto eu ainda ouvia o “click” do trinco, pelo meu lado direito dei de cara com um travesti de cabelos escuros bem longos sentado em um sofá redondo exatamente atrás da cortina que eu conseguia ver do lado de fora, o qual me encarava como que a me convidar a sentar do lado dele. Achei muito estranho, mas até aí estamos em NY, um ambiente moderno e cheio de pessoas do mundo inteiro. Dei um passo e continuei olhando para o bar.
Era uma atmosfera escura com sofás de camurça e luzes que oscilavam entre o vermelho e o roxo. Atrás do balcão estava o barman de camisa branca e gravata borboleta preta, preparando um drink com uma coqueteleira. Na sua frente, dois homens conversavam com duas até então mulheres que ao perceberem a minha entrada olharam para trás quando, então, pude perceber que, na verdade, eram mais dois travestis.
Baseado na ambiente que estava, pensei que era apenas um bar meio inferninho com um som legal e tal, tipo desses que existem na Augusta como Estúdio SP, Sarayevo e por aí vai. Pensei até que os travestis pudessem estar trabalhando ou até paquerando os dois caras. Até aí normal. Sem problemas. Mas, pelo sim e pelo não, olhei para o fundo do bar só para ter certeza e foi aí que comecei a me preocupar. Percebi que as mulheres estavam vestidas com roupas um tanto quanto insinuantes e que elas eram muito, mais muito mais altas do que se poderia se esperar de mulheres comuns. Ainda que num país frio, não me lembro das mulheres americanas serem tão altas assim.
Eu ainda não tinha percebido, mas do meu lado esquerdo encostado na parede, estavam duas "moças” sentadas em uma mesa redonda dessas que são bem altas olhando em minha direção, eis que me levanta um cara com 1,85m, 1,90 loiro de cabelos compridos e cara quadrada, daquelas feita a machada tipo a do Tarsísio Meira o qual me deu boas vindas e me avisou que a entrada custava 30 dólares.
Nessa hora bateu um desespero. Que lugar era aquele? Respirei fundo, e disse que eu tinha entrado no bar errado. Saí de lado correndo meio que sem rumo, não sei antes dar de cara com mais um travesti chegando.
Após o susto achei que tinha tido aventura demais por uma noite. Comprei cerveja para levar para casa e um café no Starbucks para servir de consolo. No caminho fiquei pensando sobre que tipo de lugar era aquele. Será que era apenas um bar gay no qual estavam alguns travestis e eu tenha julgado cedo demais ou será que era um puteiro de travestis mesmo? Tipo uma Avenida Indianópolis indoor?
Eu que não volto para descobrir. Pelo sim, pelo não, está dada a dica. Quando vierem a Nova York anotem esse nome e por lá não apareçam: Fusion!
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ResponderExcluirVocê ri é! Dureza! hehehe
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