Definição de brasileiro: simpático e puto.
De fato, nós brasileiros somos conhecidos por sermos simpáticos e atenciosos com as pessoas. Tem hora até que acho isso um mito um pouco exagerado e que nem sempre se aplica à minha pessoa. Às vezes, não estou lá para muita conversa, não. Mas, no geral, eu me esforço para ser atencioso com qualquer pessoa, inclusive com as que me param pelas ruas de NY, sobre as quais devo escrever algo em breve.
Nessa onda de simpatia, um assunto que eu percebi ser muito corriqueiro é a beleza da mulher brasileira. Inegável o quanto os gringos de uma forma geral, e não me refiro apenas aos americanos, cultuam a mulher brasileira e ao mesmo tempo acham que nós, os brasileiros, somos uns putos devassos. No prédio em que moro, por exemplo, desde que os porteiros descobriram que eu sou brasileiro, agora sou tratado como “parceiro” e não mais como “senhor”, com exceção obviamente do Mr. Simpatia, que continua sendo mala. E o assunto invariavelmente é sempre o mesmo: mulher.
No dia em que disse que era brasileiro, estava a dupla de porteiros mais malandra: a da noite! Só para vocês entenderem, um fica atrás do balcão da recepção e o outro atrás da porta giratória. Bem de flat mesmo. Um deles, ao ouvir minha origem com a palavra Brasil, não teve duvida em me contar uma historia sobre o dia em que saiu com uma brasileira. Estava todo orgulhoso.
Para ser breve, o ponto auge da conversa foi: “Aí eu estava lá sendo todo educado e tal, quando ela me vira dentro do carro e diz: eu quero transar com você! Cara, eu quase bati o carro! Não esperava ouvir aquilo. Vocês brasileiros são todos loucos”.
Na sequência, ele me perguntou quanto tempo eu ia ficar e ao responder 3 meses ele disse: “Oh, então você tem muito tempo para aprontar, e sendo brasileiro, vai sair com metade de NY!”. Eu tentei explicar para ele que eu tinha uma noiva e que eu iria me casar tão logo eu voltasse para o Brasil, quando ele começou um discurso:
“Bob, você ouviu isso?” perguntou ele para o outro porteiro.
“Não!” respondeu o outro.
“Ele disse que vai casar assim que voltar para o Brasil!”. Ambos riram e eu não entendi o motivo. O que estava atrás do balcão, levantou da cadeira, veio até mim e me soltou a pérola que, se vocês me permitem, vou escrever em inglês: “Man, do you know the five – ‘oul’ – five code?”
“No idea, man”, respondi.
“The five ‘oul’ five code is a code from the White House. It is a code from the own President Barack Obama, you know.
Parênteses. Toda vez que eu escuto um gringo dizendo a expressão, “you know” em uma frase, eu traduzo para “tá ligado”, o que no geral me deixa com vontade de rir. Não deveria ser essa exatamente a tradução, mas para mim you know é o bom e velho tá ligado. Ou como algumas meninas diriam: “saca”.
“The five ‘oul’ five code was created by the own Obama and is very important for you man! It means that no matter what you do here, or who you are, you are a single and the things you do here will be here. Don’t worry. Your apartment is your new home. You can do anything there. This is not our business. But, if you bring any woman here, my friend there, Bob, will inspect her, just to see if she is beautiful. We don’t allow ugly girls in the building, you know. Only in case you are very drunk, otherwise, no ugly girls!, ‘tá ligado’.”
Depois dessa não me restava nada alem de rir, aceitar a fama de puto e ir para o apartamento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário