Esses dias eu postei no Facebook uma mensagem dizendo que eu vi o Homem-aranha e o Batman pedindo dinheiro para tirar fotografia com os turistas e disse que era por conta da crise. Brincadeiras à parte, de fato a situação não parece ser uma das melhores não. Não estou dizendo, obviamente que o mundo vai acabar, mas as pessoas reclamam muito da crise financeira que assombra o país.
Não por outra razão, a quantidade de pessoas pedindo dinheiro na rua é muito grande. Especialmente onde moro, ponto extremamente turístico. O engraçado, se é que pode ser chamado de engraçado, é que há basicamente dois tipos de pedintes: os profissionais e os amadores.
Pode parecer estranho, mas é fato.
Os amadores aparentemente são pessoas comuns pedindo dinheiro para sobreviver. Diferente do Brasil, eles ficam sentados com uma plaquinha de papelão escrita: “Homeless and hungry. Please help me”. Não falam nada. Absolutamente nada. Não andam na sua direção ou algo assim. Esses dias vi até um que fazia palavras cruzadas enquanto esperava alguém dar algum dinheiro.
Agora, os profissionais são muito picaretas ou ao menos parecem ser. Eles ficam com uma banqueta e uma caixa de acrílico trancada por um cadeado tentando parar cada pessoa na rua para dar dinheiro supostamente para os “homeless”. “Young sir., help the homeless”, “You beautiful lady, come on the homeless need you!
Para mim, fica muito claro que ou esses caras ganham uma comissão ou eles ficam com todo o dinheiro. O que fica em frente ao meu prédio está lá absolutamente todos os dias, das 8h às 20h. Não faz o menor sentido isso.
Eis que, de saco cheio dessa apurrinhação, resolvi simplesmente responder às perguntas em português, pois assim ao não entender nada, eles deixam para lá.
Resultado: 100% sucesso... no começo!!! Cada vez que alguém me parava na rua para pedir dinheiro eu desembestava a falar português sem nem pensar duas vezes. Era só mudar a chave e começar a falar feito um louco. A pessoa desistia e eu continuava a andar. Era ótimo.
Tudo ia bem até que um dia o telefone do meu apartamento toca, para mais uma apurrinhação, e do outro lado alguém de de uma agência queria fazer uma pesquisa. Pensei: hora de colocar a boa e velha técnica em prática! Mandei o bom e velho português e, para minha mais inesperada surpresa, a pessoa do outro lado, ainque que com dificuldade, começou a falar em português comigo! Inacreditável!!
Perguntou se alguém falava inglês e eu disse que não. Aí não teve jeito, tive de responder meia dúzia de perguntas... Tuo foi por terra.
Desde então aprimorei minha técnica. Ficou simplesmente infalível. Depois de muito andar por New York eu percebi que aqui há quinhentas mil línguas diferentes, inclusive, algumas que eu não faço a menor idéia de onde vêm. Percebendo isso, eu inventei minha própria língua.
Isso mesmo! Uma língua própria. Cada vez que alguém me para na rua, eu começo a fazer uns sons estranhos sem sentido algum e aí a pessoa desiste na hora. É só você olhar para bem para a cara dela e soltar um “ratatatatafalvujubruca quinovala crobruzuuuuuuuuuu cramula zebrolenaaaaaa”. Se você faz isso e ao mesmo tempo gesticula para a pessoa, não tem erro. Ela fica espatanda e se assusta um pouco, mas para de falar e deixa você se seguir seu caminho. Ainda não sei se é porque ela não entende, ou se é porque ela acha que você é louco mesmo. Mas isso, sinceramente, não me interessa. O bom é que assim, ninguém me enche o saco! E de quebra é diversão garantida. Não tem como não rir da cara da pessoa depois!
Taí mais uma dica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário